terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dilma busca se reaproximar do PMDB

Brasília (AE) - Um dia depois da derrota de seu candidato, Arlindo Chinaglia (PT-SP), na disputa pela presidência da Câmara, o Palácio do Planalto começou ontem a buscar uma reaproximação com o novo presidente da Casa, Eduardo Cunha (RJ), e seu partido, o PMDB, detentor da segunda maior bancada, com 66 deputados. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, negou o visível clima de ressaca e acenou ao PMDB, destacando a independência entre os poderes, bandeira defendida por Cunha durante seus dois meses de campanha. “Esta é uma Casa política, tem votação, a gente ganha, a gente perde. O importante é manter o diálogo, a disposição de construção de uma agenda que o País precisa e, como os chefes de Poder disseram hoje, tem que respeitar a independência plena do Legislativo e a harmonia entre os Poderes”, afirmou após as cerca de duas horas de sessão de abertura do ano legislativo, que não contou com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Mercadante negou que Cunha seja “desafeto” do Palácio do Planalto. Os dois cochicharam diversas vezes, enquanto o primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), lia a mensagem enviada por Dilma. O ministro disse ter trabalhado “muito bem” com o PMDB durante o primeiro mandato de Dilma.

“O PMDB foi muito importante, a liderança dele (Cunha), inclusive. Temos certeza de que vamos avançar nessa direção”, afirmou o ministro. Mercadante disse que o PMDB “foi um partido fundamental” durante os dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro de Dilma e “continuará sendo” importante nos próximos quatro anos. “Às vezes, há divergência na base. Faz parte da vida democrática. Mas você tem que superar com diálogo, com humildade, com a disposição de construir”, acenou o ministro.


O Planalto conta com a aliança com o PMDB para reunificar a base e não ser derrotado pela oposição em votações importantes para o governo como a reforma política, o veto presidencial que estabeleceu em 4,5% o porcentual de correção da tabela do Imposto de Renda, e a Medida Provisória que altera o PIS/Cofins sobre produtos importados, por exemplo.

O mesmo tom foi reforçado pelo vice-presidente Michel Temer depois de um almoço no Palácio do Jaburu, com o novo presidente da Câmara.  Temer acredita que  a eleição de Cunha não vai comprometer a governabilidade da presidente Dilma Rousseff no segundo mandato. 

“A disposição dele (Cunha) é realmente colaborar com o Executivo, estou dizendo isso porque houve muita matéria (nos jornais) de que haveria divergência entre Executivo e Legislativo e ele sabe que há uma missão institucional e as instituições devem se entender. Não há nenhuma preocupação nessa relação entre Executivo e Legislativo”, assegurou Temer a jornalistas.

A vitória de Cunha no primeiro turno foi vista como uma derrota acachapante do governo da presidente  Dilma e, principalmente do PT, que insistiu na disputa, indicando o deputado Arlindo Chinaglia como candidato a presidente, abrindo mão de vários cargos na mesa diretora da Casa. 

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