sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Natural da Guiné, Maza conta sua história de vida e fala sobre aprendizado no Madureira



Aproximadamente cinco mil quilômetros separam a cidade do Rio de Janeiro da cidade de Conacri, capital da Guiné, país da costa africana de mais de 11 milhões de habitantes e que tem um dos 15 menores Indíces de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. Foi de lá que veio Abdoulaye Maza Sylla, o Maza, atacante de 25 anos, que faz parte do grupo do Madureira para este Campeonato Carioca. Hoje naturalizado brasileiro, o jogador veio ao país em busca do sonho de ser jogador de futebol e ajudar a família.
- Eu vim sozinho para o Brasil. Meu tio trabalha com transporte pelo mar. Ele me deu essa oportunidade e eu falei “mesmo de navio, eu vou”. Corri atrás, consegui minha documentação, e estou jogando até hoje. Eu vim primeiramente para o Rio Grande do Norte. Joguei no ABC. De lá fui, para o Santos, e depois para o Botafogo, tudo isso na base. Profissionalmente, joguei na Cabofriense, no Bangu, e em outros times.
Em seu país natal, Maza atuou pelos maiores clubes locais. Mas, para ele, comparado ao futebol brasileiro, o futebol da Guiné é amador, tanto em termos de equipamentos de trabalho e material quanto na preparação física. Segundo o atacante, “quem quer algo a mais tem que sair de lá e crescer na vida.”
Apesar da felicidade por estar no Brasil, seguindo seu sonho de ser jogador de futebol e ajudar a família a ter melhores condições de vida, Maza tem que conviver com a distância de casa e a saudade da família.
- Minhas condições de vida lá eram básicas. Minha família é humilde até hoje. Fico feliz em poder ajuda-los todo fim de mês. Nós nos falamos quase todo dia pelo Viber, mas mesmo assim sinto saudade. Eu costumo voltar lá quando estou de férias. Esse ano não vou poder ir porque o campeonato já começou, mas quando tiver um tempo de férias, vou voltar lá.
Naturalizado brasileiro, o atacante teve que se adaptar ao idioma de sua nova casa assim que chegou ao país. Mas, para ele, a dificuldade em aprender o português não foi tão grande assim.
- No início, eu não sabia falar, mas não foi tão difícil assim. Eu tive que me adaptar, nenhum jogador falava francês. Então eu me acostumei. Fui ao shopping e comprei um dicionário para mim, para me ajudar. Me esforçava para falar, falava errado, os caras riam de mim, mas tinha que passar por isso, não tem jeito (risos). De tanto estudar, hoje dou aula em uma escola de idiomas. Meu tio fala português, ele até me ensinou um pouco, mas hoje eu brinco que eu falo bem melhor que ele (risos).
Treinando com o grupo do Madureira desde dezembro, Maza classificou a pré-temporada do clube como “muito proveitosa”. Para o atacante, essa oportunidade no Tricolor Suburbano tem sido positiva pelo grande aprendizado, não só com o restante grupo, mas principalmente com o técnico, PC Gusmão.
- Fiquei feliz quando eu vim para o Madureira. O PC não me conhecia, mas, no decorrer da pré-temporada, ele gostou do meu trabalho. Estou muito feliz por estar no grupo e espero retribuir o carinho que o pessoal está tendo comigo.

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