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O Rio Grande do Norte tem pelo menos 33 mil crianças e
adolescentes, de cinco a 17 anos, trabalhando de forma irregular. No Brasil,
são cerca de 3 milhões, que representam 6% da população nesta faixa etária. Os
dados são baseados na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD), que apurou dados sobre o trabalho infantil. Os número incluem aqueles
menores que trabalham para o autoconsumo, ou seja, para a própria
sobrevivência.
Com o objetivo de tornar mais
eficientes os esforços até a erradicação do trabalho infantil, a campanha
"Criança não deve trabalhar, infância é para sonhar" foi lançada por
iniciativa do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.
Esta quarta-feira, 12 de junho, é o Dia
Mundial contra o Trabalho Infantil, instituído pela Organização Internacional
do Trabalho (OIT) em 2002, e também Dia Nacional de Combate ao Trabalho
Infantil, criado pela Lei nº 11.542/2007. A data corresponde à apresentação do
primeiro relatório global sobre o trabalho infantil na Conferência Anual do
Trabalho.
O Ministério Público do Trabalho (MPT)
no Rio Grande do Norte foi uma das entidades que aderiu à campanha. No período
de 2016 a 2019, de acordo com o órgão ,foram instaurados 91 procedimentos para
apurar denúncias relacionadas à exploração do trabalho ilícito de crianças e
adolescentes. A campanha pretende também reforçar a importância do papel de
todos em informar, pelo Disque 100, os casos de trabalho infantil, que também
podem ser denunciados pelo aplicativo Proteja Brasil.
O trabalho infantil ocorre tanto no meio urbano, com 1,4 milhão de crianças e
adolescentes com idades variando dos 5 aos 17 anos, correspondendo a 59,2% do
total, como na área rural, com cerca de 976 mil, atingindo o percentual de
40,8%. Esse número é mais expressivo entre as crianças de cinco a 13 anos de
idade: 308 mil no meio rural (68,2%) e 143 mil nas cidades (31,8%). A região
Nordeste registra a segunda maior taxa de ocupação, com 28,8% da população na
faixa entre cinco e 17 anos trabalhando.
Com o tema Criança não deve trabalhar,
infância é para sonhar, a campanha visa sensibilizar e motivar uma reflexão da
sociedade sobre as consequências do trabalho infantil e a importância de
garantir às crianças e aos adolescentes o direito de brincar, estudar e sonhar,
vivências que são próprias da infância e que contribuem para o seu
desenvolvimento.
De acordo com a campanha, o trabalho
infantil deixa sequelas e danos físicos, psíquicos, educacionais e sociais, na
maioria das vezes irreversíveis. São exemplos dos impactos negativos do
trabalho infantil, no aspecto físico: fadiga excessiva, problemas
respiratórios, lesões e deformidades na coluna, alergias, intoxicações,
distúrbios do sono, irritabilidade. Segundo o Ministério da Saúde, crianças e
adolescentes se acidentam seis vezes mais do que adultos em atividades
laborais, porque têm menor percepção dos perigos. Fraturas, amputações,
ferimentos causados por objetos cortantes, queimaduras, picadas de animais
peçonhentos e morte são exemplos de acidentes de trabalho.
Psicologicamente, os impactos negativos
variam de acordo com o contexto social do trabalho infantil. Por exemplo,
abusos físicos, sexuais e emocionais são os principais fatores de adoecimento
das crianças e adolescentes trabalhadores. Outros problemas são: fobia social,
isolamento, perda de afetividade, baixa autoestima e depressão.
Em termos educacionais, observa-se
baixo rendimento escolar, distorção idade-série, abandono da escola e não conclusão
da Educação Básica. Quanto mais cedo o indivíduo começa a trabalhar, menor é
seu salário na fase adulta. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo
rendimento escolar e ao comprometimento no processo de aprendizagem. É um ciclo
que limita as oportunidades de emprego aos postos que exigem baixa qualificação
e com baixa remuneração, perpetuando a pobreza e a exclusão social.
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